BARONS

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Macbeth: Ambição e Guerra




Atores de Hollywood lendo um livro durante quase duas horas.




Macbeth cartaz

ENREDO

Macbeth (Michael Fassbender) é um general do exército escocês, que depois de liderar seu exército numa vitória contra um conde traidor, ele recebe o título de seu oponente e a gratidão do seu rei, porém depois da batalha três bruxas encontram com ele e seu parceiro General Banquo (Paddy Considine) e profetam o futuro dos dois em relação ao reinado, ao saber da profecia Lady Macbeth (Marion Cotillard) tenta convence-lo de tomar para si o trono.

Rei Duncan Macbeth

O antigo rei Duncan

HISTÓRIA INTERESSANTE, MAS…

Talvez o filme mais difícil que eu já tive que comentar, porque comecei a assistir sem saber do que se tratava e chegou um momento em que eu literalmente desisti, tive que dar uma pesquisada rápida na internet para não ir embora antes de chegar na metade. Aí sim ficou assistível.

Como eu disse, só consegui assistir o filme depois de descobrir que MacBeth uma peça de Shakespeare e depois de ler um breve resumo da mesma, o meu problema antes de saber essas coisas é que o filme parecia uma encenação de poemas, todo mundo recitando textos poéticos e que quase sempre não fazem sentido algum (existe um motivo para as pessoas não falarem desse jeito na vida real).

Banquo e Macbeth

Banquo e Macbeth antes da batalha. Parecido antes, imagina durante

Isso ficou mais aceitável depois que eu vi que realmente era uma peça que ao invés de adaptarem totalmente para o cinema, eles deixaram textos inteiros como o original que revezam com algumas falas de filmes tradicionais. Aí chegamos no problema número 2, nenhum personagem é apresentado, e em alguns momentos em que estão com o rosto pintado ou no escuro, dificulta ainda mais a identificação. É bem verdade que eu já tenho uma dificuldade em reconhecer rostos, mas o maior problema aqui, é que os personagens não são identificados, então fica uma trama muito confusa, e tudo piora ainda mais quando as alucinações começam, que aí realmente não sei quem é de verdade quem é visão, quando o protagonista está pensando ou quando ele está falando.

Enfim, depois que li o resumo da história, mesmo tendo o problema dos spoilers, o filme começou a ficar bom, porque eu já sabia quem é quem e aí pude aproveitar mais a ótima história, que mostra como os personagens lidam de forma diferente com a culpa, como nessa época a sociedade lidava com temas como lealdade e vingança, além do tom místico das bruxas e o destino inevitável escrito para os personagens.

Castelo Escocês Macbeth

O castelo escocês

Pronto, elogiei a história, agora vamos voltar a criticar o filme, não é possível que tenha sido só eu que achou a montagem ridícula, o filme tem alguns cortes que não fazem o menor sentido, no meio de uma cena eles cortam para um grupo de personagens que só Deus sabe quem são, aí volta, depois vai para uma cena do passado, que você só descobre que era passado quando o personagem já está fazendo outra coisa… Sério, fiquei perdido de verdade, principalmente no início.

Michael Fassbender está com um visual muito legal, que em alguns momentos deve se aproximar do que veremos no final do ano em Assassin’s Creed, no quesito atuação, ele faz cara de sequelado maluco durante boa parte do filme, me convenceu, então acho que foi bem. A segunda peça mais importante do filme é a esposa de Macbeth interpretada por Marion Cotillard, o problema é que não vou com a cara dela e para ajudar ela só pega personagens malas, em Inception ela é um porre que fica atrapalhando o filme todo, depois no último Batman do Nolan além de chata ainda encena uma das cenas de morte mais ridículas do cinema, agora é ela quem macula um homem honesto para a traição, sinceramente ela deve ser uma das melhores no filme, mas exatamente por essa implicância minha, é melhor não comentar, e para minha alegria ela também estará ao lado de Fassbender em Assassin’s Creed, então já sei quem vai complicar a vida do personagem principal do novo filme.

Marion Cotillard em The Dark Knight Rises

A morte de Marion Cotillard em The Dark Knight Rises

Além das atuações serem boas, Paddy Considine (O Ultimato Bourne) e Sean Harris (Missão: Impossível – Nação Secreta) também dão um show (nas emoções, porque o texto não faz muito sentido mesmo), o figurino e os cenários são ótimos, mas aí chegamos a outro ponto chato, a fotografia nesses casos, não sei se eles deixaram desse jeito por não ser o foco do filme, se é para economizar dinheiro ou se é só mal tratada mesmo, mas as cenas de batalha começam lindas, mas na hora da espada “comer solta” fica tudo embaçado e só o protagonista e seus rivais diretos são focados, e novamente, se Macbeth e seus rivais se embaralharem, eu já não sei quem é quem.

Macbeth e esposa

Fassbender e Marion

Entendo que o filme é baseado na peça, com algumas modificações, claro, e que em algumas passagens que eu não gostei, pode ser que foram filmadas daquele jeito para criar metáforas a respeito do protagonista, mas mesmo sendo uma obra de Shakespeare ainda acho que um filme deve ser tratado como filme e que o espectador não necessite de muitos conhecimentos prévios para entender a trama. O pior é que em alguns momentos eles até deixam informações importantes de fora, um “suicídio” e “a floresta que anda” por exemplo, ficaram quase que totalmente de fora.

Se você é daqueles amantes de arte, teatro e cinema cult, provavelmente vai adorar, eu vou esperar que um dia adaptem a história para o cinema como um filme mesmo, o filme é lindo e a história é ótima, mas a narrativa e a montagem são para um público muito especifico que eu não estou incluído.

Alguns amaram e outros odiaram, deixando as notas bem equilibradas na maioria dos sites especializados, e você o que achou?



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