BARONS

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Fragmentado – Um show de atuação




Parece uma grande ficção, mas pode ser real




Fragmentado Cartaz

Engraçado como não é possível começar falando de um filme de M. Night Shyamalan, sem falar primeiro de M. Night Shyamalan. Na minha opinião todos os seus filmes de suspense são acima da média (talvez ‘Fim dos Tempos’ esteja um pouco abaixo), mas como nos últimos anos ele lançou na sequência ‘O Ultimo Mestre do Ar’ e ‘Depois da Terra’, que não são suspenses e são bem fracos, e porque criou-se uma regra de que todos os seus filmes deveriam ter um plot-twist fenomenal, o seu talento foi posto a prova.

Então mesmo não concordando muito com o termo, podemos dizer que o “Rei do Plot-Twist” continua sua reascensão ao topo da lista dos diretores autorais com ‘Fragmentado’ filme que narra a história de um homem com múltiplas personalidades que sequestra três garotas e as mantém refém, aparentemente sem um motivo óbvio.

Kevin, o protagonista do filme por mais incrível que possa parecer é baseado em vários casos médicos reais de pessoas com múltiplas personalidades, o que torna a história ainda mais fascinante.

Personalidades Fragmentado

As personalidades mais fortes de Kevin

Múltiplas Personalidades e Histórias Reais

Por mais que até hoje ainda existam médicos que não acreditam em múltiplas personalidades ou pelo menos não como o filme e alguns profissionais apresentam, temos histórias bizarras atribuídas a esse “distúrbio mental” desde o começo do século passado, quando começaram a parar de atribuir todos os problemas do mundo a Deus e o diabo e começaram a estudar de verdade esses comportamentos.

Assim como vimos no filme, algo que é quase unanimidade em casos estudados é um trauma passado, seja ele repentino como após um grave acidente ou recorrente como maus tratos na infância, caso de Kevin.

O mais interessante sobre esse assunto é que em vários casos ocorrem mudanças biológicas no paciente, não só de personalidade em si, mas mudanças físicas também, e Shyamalan abordou muito bem essa característica, muitas vezes de forma bem sutil, que se você não prestar atenção passa batido, mas estava lá.

Das personalidades de Kevin, somente a 24, que é a motivação toda do filme, é um tanto exagerada, todo o resto tem um embasamento bem próximo a realidade, como uma personalidade que tem diabetes enquanto as outras não tem, uma que age como mulher, outra como criança, uma tem TOC, outra precisa de óculos, uma é homosexual… A grande diferença é que na maioria dos casos conhecidos, o paciente não tem controle sobre qual personalidade vai estar ativa e não tem memorias ou lembranças sobre o que aconteceu enquanto outra personalidade estava no controle.

No geral Shyamalan distribuiu bem as mudanças entre as personalidades e deixou uma coisa mais sutil, mas temos registro que mudanças bem mais surreais, como o de uma pessoa que ficou cega, porém uma das suas personalidades conseguia enxergar normalmente (sim, o caso que a dra. cita no filme é real), ou também do rapaz que ficou sem movimento da cintura para baixo depois de uma experiência traumática e depois que desenvolveu outras personalidades voltou a andar. Sotaques e idiomas diferentes também são recorrentes, com histórias de crimes cometidos por uma pessoa, mas as vitimas tiveram dificuldades de reconhecer o criminoso por causa da voz e forma de falar do suspeito, ou então caso de uma personalidade que denunciou um assassinato que outra cometeu…

Então acredite ou não, o filme é baseado em casos reais e praticamente nada do que é apresentado lá é mais bizarro do que já foi documentado pela medicina.

James McAvoy

Apesar de Shyamalan ser genial, ele deve pelo menos 50% do sucesso de Fragmentado a James McAvoy, “Que atuação foi essa?!?!”. Sem brincadeira, o mais justo seria entregar o Oscar para ele já, pra não correr o risco de haver qualquer engano depois.

No filme Kevin tem 23 personalidades distintas, porém são retratadas apenas 5 ou 6 que são consideradas as mais fortes e predominantes, e apesar de todas serem a mesma pessoa só pela postura ou olhar de McAvoy você já consegue identificar qual das personalidades está presente.

Hedwig Fragmentado

“Olá sou o Hedwig, sou o melhor desse filme, gosto de dançar Kanye West e etcetera”

Para mim a mais sensacional é Hedwig, uma criança de 8 anos, que você reconhece simplesmente pelo olhar, mas McAvoy não deixa escapar nenhum detalhe, ele fala com a língua meio presa, “come” algumas sílabas, termina praticamente todas as frases com um “etcetera”… Sem falar nos truques de câmera que ajudam a dar uma impressão que dependendo da personalidade, alguma é mais alta, outra mais baixa.

Vale mencionar a cena onde ele começa a trocar de personalidades em uma sequência praticamente sem cortes que deve dar um nó na cabeça de qualquer ator, e a cena ficou simplesmente maravilhosa!


Como todo filme de Shyamalan, recomendo assistir pelo menos duas vezes para perceber os detalhes que você acaba deixando passar, como por exemplo quando a Casey dá uma dica para a sua amiga não ser estuprada, que na hora parece totalmente gratuito, mas conforme a história vai sendo contada você vê que aquilo diz mais sobre a personagem do que qualquer coisa que as outras duas meninas tenham feito durante todo o filme.

Alias, o filme é praticamente de somente três personagens, além de Kevin (McAvoy), temos a magnifica atuação de Anya Taylor-Joy, que interpreta Casey, uma das meninas sequestradas, que no começo parece ser só uma adolescente revoltada, mas vai crescendo e no final prova ter uma história mais pesada que a do próprio protagonista. E por fim a experiente Betty Buckley que é uma peça importante para explicar a condição do personagem e cumpre bem o seu papel.

Apesar do final ter quebrado um pouco o clima que eu estava com o filme, ele é muito, muito, muito bom, porém pela primeira vez eu caí na maldição do Shyamalan e fiquei esperando um plot-twist de explodir a cabeça que faria o final fazer todo o sentido, mas não teve, era aquilo mesmo, que como eu disse, acabei saindo da vibe da história no finzinho então acabei um pouco decepcionado e por isso o filme não é perfeito na minha opinião.

Patricia Fragmentado

Patricia e duas das sequestradas

Mas minhas ressalvas com o final não muda o fato de que é um filme de suspense excelente, aquele suspense real que você fica incomodado o tempo todo, apesar de alguns (Hedwig) alívios cômicos e como já se passou quase um mês da estreia não é mais um spoiler (nunca achei que fosse) a dica para você assistir, ou pelo menos conhecer ‘Corpo Fechado‘, porque se você não conhecer, vai ficar com cara de bobo ao final do filme, sem entender o “easter-egg”.


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