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Assassin’s Creed: O filme – Não é possível!!




Até parece que vai ser bom, mas no final... nhé




Assassin's Creed cartaz

Ainda não foi dessa vez que tivemos um filme baseado em games com qualidade equivalente a do jogo, e logo Assassin’s Creed que eu particularmente alimentava muita expectativa pela infinidade de histórias que a franquia proporciona, porém foi mais uma vítima da maldição da adaptação de jogos para o cinema.

Sou fã desde o primeiro game, não pela mecânica pois o jogo era quase um mod de Prince of Persia, mas por causa das ideias criadas, a partir dessas ideias existem algumas coisas que a tornam AC tão especial: os assassinos, a ambientação e a forma de contar a história, participações históricas, misturar realidade com ficção…

E a produção provou que estudou muito o game, conseguiram alcançar a perfeição no quesito adaptação, desde a forma dos assassinos e templários se vestirem, armas, estilo de luta e costumes da seita… mostram por exemplo, o ritual de iniciação, com a leitura do juramento “Nothing is true…”, o decepamento do dedo para o uso da hidden blade, durante as lutas temos a fluidez dos golpes combinados com parkour, perseguições sobre os telhados, efim praticamente tudo do game está presente no filme.

Assassina - Assassin's Creed

Excelentes coreografias nas lutas e perseguições

Para se ter uma ideia, eles seguiram os trechos no passado durante a inquisição espanhola com tanta fidelidade, que até o idioma falado pelos personagens é o espanhol, coisa praticamente impossível de se ver em Hollywood principalmente num blockbuster.

O que fizeram com a Animus (máquina que faz o usuário reviver seu passado) é simplesmente uma aula sobre o que é uma adaptação, conseguiram transformar uma cama onde o protagonista ficaria apagado, em uma máquina que torna o filme mais dinâmico e as habilidades do personagem muito mais plausíveis.

Veja que como adaptação o filme só não superou expectativas por não ter nenhum personagem ou momento histórico realmente conhecido, de resto está praticamente perfeito.

Animus - Assassin's Creed

Animus Expectativa X Excelente realidade

Mas se a adaptação foi graficamente perfeita o roteiro foi o oposto, uma história mal montada e um final digno de ‘Quarteto Fantástico (2015)’, serviram para estragar quase tudo que tinha dado certo anteriormente.

Primeiro que a história do protagonista não é tão boa, toda a estrutura da Abstergo é legal, incluir efeitos colaterais pelo uso da Animus também, mas os tropeços começam com Marion Cotillard como uma das protagonistas, sei que ela já até ganhou Oscar, mas não preciso lembrar da morte dela no Batman 3, ou dela em Inception ou em Macbeth… São só personagens sem carisma algum e que são mais odiados que qualquer vilão dos respectivos filmes e que não consegue escolher se é boa ou má.

Marion Cotillard em The Dark Knight Rises

Sensacional Marion 😀

É claro que não é culpa dela o fato de que a história não empolga em nenhum momento, nem no passado e nem no presente, e o final é só um retrato dessa falta de aprofundamento.

A história vai seguindo normalmente durante dois terços do filme, sem empolgar muito, mas também sem desapontar demais, até chegar no final. No momento de resolver tudo e deixar o gancho para uma possível sequência, ou cortaram metade das cenas na edição, ou alguém tem um sério problema de gerenciar continuidade.

Templario - Assassin's Creed

Assim como no jogo um templário vale por meia dúzia de assassinos, não é fácil vencer o boss se você é um minion

Como filme de origem tiveram que gastar muito tempo explicando para quem não conhece os games, toda a estrutura da franquia, e no fim aparentemente ficaram sem tempo para encerrar de maneira decente, por isso tivemos buracos na continuidade e pior, cenas totalmente inexplicáveis, que não consigo nem listar aqui porque não sei por onde começar, se é o teletransporte deles para o evento, se é a falta de seguranças, se é 5 minutos de conversa sem sentido no meio da confusão…


Enfim, apesar de ser uma adaptação praticamente perfeita do ponto de vista do visual e da ação, o filme não se decide se vai seguir a história da busca pela maçã, ou do protagonista, ou se vai apresentar o universo… Ele dá pinceladas em tudo, mas não se aprofunda em nada, então os objetivos pelos quais o protagonista se arrisca tanto no passado quanto no presente, não tem apelo com o espectador e não empolga, some isso com um final pífio e temos praticamente outro ‘Prince of Persia (2010)’.

Resta saber agora se eles vão aproveitar o gancho deixado nesse primeiro filme para uma sequência, ou se irão partir para TV no formato de seriado, como foi anunciado pela Ubsoft logo após o filme sair de cartaz.



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